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Tabacaria – Fernando Pessoa

Tabacaria – Fernando Pessoa

Poemas

Tabacaria é um poema escrito em 15 de Janeiro de 1928 por Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, publicado na Presença, em julho de 1933.

Este poema retrata uma sensação do infinito, cuja presença coloca o ser humano sensível a idéias tanto quanto aos fatos. Por ser possível pensar, o ser humano pode deixar de se vincular ao presente imediato para se transportar a problemas de ordem existencial em outros níveis.

Este poema retrata esta característica humana, onde o poeta revela as condições eternas de ser gente – finito em certos aspectos de sua materialidade “como coisa real por fora” e infinito em sua essência “como coisa real por dentro” – uma obra monumental que atinge diretamente esta sensação da eternidade presente dentro de uma tarde em que ficamos “em casa sem camisa” – ou mesmo ouvimos “a voz de Deus num poço tapado”.

O crítico italiano Antonio Tabucchi considera-o o poema mais importante do Século XX.

A casa Fernando Pessoa publicou a revista Tabacaria, em homenagem Fernando Pessoa.

Texto acima retirado da Wikipédia!

Tabacaria

“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,

O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.”

Soneto: Mar (Paulo Braga Silveira Junior)

Soneto Mar Paulo Braga Silveira Junior

O mar… Quem dera vê-lo novamente

no entardecer de um dia de verão…

Sentir, das águas dele, a emoção

quando envolver meu corpo ao sol poente!…

 

Com todo o amor em mim de prontidão

revê-lo a cortejar a areia quente

num beijo de paixão, forte e eloquente,

tal como desse, à praia, o coração…

 

Ouvir seu murmurar na sinfonia

levada pela brisa ao fim do dia

se como o peito meu lhe desse abrigo!

 

Minh’alma triste e só, põe-se a chorar…

Que graça pode haver olhar o mar

sem ter ninguém pra o partilhar comigo?!…

Soneto: Mar – Paulo Braga Silveira Junior – nov/19

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